Microgeração de energia: balão que enche demais?

Microgeração de energia: balão que enche demais?

Oliveira Fernandes foi o autor da primeira legislação portuguesa sobre energia eólica. No entanto, em entrevista ao jornal ionline, o especialista criticou os painéis solares fotovoltaicos e as turbinas eólicas que proliferam nos telhados portugueses questionando a sua utilidade na eficiência energética das casas dos seus utilizadores, uma vez que que desestimulam a imprescindível mudança de comportamentos. A entrevista aborda a realidade portuguesa, onde não existem consumidores dependentes da Eletropaulo, mas é interessante a defesa que um especialista em energia eólica faz dos recursos arquitetônicos e construtivos bem como de “soluções ancestrais adaptadas ao conhecimento de hoje”. Alguns excertos:

O autor da primeira legislação nacional (portuguesa) das eólicas criticou hoje os painéis solares que proliferam nos telhados pondo em causa o seu contributo para a eficiência energética em casa dos portugueses.

Oliveira Fernandes ressalva que “nada do que está a ser feito a nível nacional está errado” em termos de política global, mas no caso dos particulares contesta a chamada microgeração das energias renováveis.

O especialista na área da energia compara mesmo o fenómeno, que permite aos particulares produzirem energia e venderam-na à rede, a um balão que “está a encher demais”. (…) “É preciso tirar as pessoas dessas ideias que vêm de Lisboa e pô-las a terem uma relação com o ambiente e com a energia como vivem todos os dias”, defendeu.

Para este especialista, no caso dos particulares a eficiência não se alcança produzindo, mas utilizando a energia de forma sustentável e entende que há soluções mais prosaicas para alcançar esse fim, desde logo do ponto de vista da arquitetura e da construção.

“Eu quero que as pessoas deixem de pensar nas eólicas ou nessas malfadadas fotovoltaicas”(…)

Para Oliveira Fernandes, há no país (Portugal)”um domínio cultural dos produtores de energia que tem de ser mudado” e “contribuir para a criação de boas práticas”, que podem passar por soluções ancestrais adaptadas ao conhecimento de hoje.

O especialista advoga, por exemplo que se continue com as lareiras em vez dos aquecedores elétricos, e que em alternativa aos painéis fotovoltaicos se recuperem os coletores de água quente solar.

“Cada casa em Portugal devia ter um coletor solar, não um fotovoltaico”, reiterou.

A própria arquitetura e construção dos edifícios são apontadas como fatores determinantes na eficiência energética (…) e a procura de conceitos antigos transportados para a atualidade é apenas um caminho de uma estratégica que defende deve “introduzir vetores inabituais de abordagem energética”.

A “microgeração” de renováveis é para Oliveira Fernandes “mais um palavrão da elite de Lisboa muito centrada na eletricidade”.

“Quando se vive numa aldeia tem de se ver se ao usar lenha estou a ter uma atitude retrógrada ou a fazer bom uso numa atitude moderna do século XXI, com um recurso renovável que vou buscar ali ao lado”, exemplificou.

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