Biomimetismo: design divino
As asas de muitos insetos como as borboletas e as folhas de algumas plantas como a lotus conseguem manter-se limpas porque possuem características que as tornam hidrófobas e auto-limpantes. Isso é conseguido por causa da micro-topografia das suas superfícies que, em comum, possuem um conjunto de proporções matemáticas que, conjugadas com as propriedades físicas das moléculas de água, as tornam super-hidrófobas. Ainda que a uma escala microscópica, tratam-se de superfícies muito rugosas, o que faz com que o ar retido nos interstícios dessas imperfeições reduza muito o contato entre a água e a superfície da folha. Água não adere ao ar tanto quanto aos sólidos, daí o formato de esfera que a chuva assume quando cai, por oposição ao jeito “espalhado” com que fica no chão. Nas superfícies de que estamos falando, a água fica também com o aspeto esférico de pequenas gotas por causa do “colchão” de ar preso nas irregularidades microscópicas das folhas ou asas. Então, a menor variação de ângulo na superfície (provocada, por exemplo, por uma brisa) faz com que a esfera role pelo mero efeito de gravidade levando consigo as pequenas partículas de sujeira. Trata-se de um sistema auto-limpante sem uso de detergente ou dispêndio de energia.
Este fenômeno serviu de inspiração para diversas firmas criarem produtos com superfícies semelhantes de modo a torná-los auto-limpantes e repelentes de água. Para além de aplicações têxteis em tecidos impermeáveis, a indústria da construção também aproveitou a tecnologia. A fabricante de tintas alemã Sto International, desenvolveu a Lotusan®, uma tinta para superfícies exteriores que utiliza os mesmos princípios de micro-estrutura para conseguir um efeito de auto-limpeza mesmo com apenas uma ligeira garoa. Os benefícios ambientais e econômicos são conseguidos pelas lavagens de fachada que deixarão de ser feitas.
com informações de Ask Nature

