Verdes de inveja

Verdes de inveja

Será que emoções tão humanas quanto a inveja podem ajudar o planeta e economizar nas contas? Tem quem aposte nisso e consiga demonstrar os resultados.

Robert Cialdini, professor e investigador de ciências comportamentais na Arizona State University, dedica-se há trinta anos a estudar o que motiva as pessoas a cuidar do meio-ambiente. Alguns anos atrás Cialdini conduziu um estudo em vários hotéis de Phoenix, Arizona, sobre os efeitos dos avisos de reutilização de toalhas em banheiros, testando quatro mensagens diferentes.

A primeira era a tradicional “faça-o pelo ambiente“. Depois foi usada “junte-se ao hotel e seja nosso parceiro nesta causa” (12% menos eficaz do que a primeira). O resultado do aviso “a maioria dos hóspedes do hotel reutilizou toalhas pelo menos uma vez durante a estadia” provocou um aumento de 18% na reutilização de toalhas. A campeã, no entanto, foi a frase que especificava que a maior parte dos utilizadores “deste quarto” havia reutilizado toalhas. Conseguiu uma resposta 33% maior que a mensagem tradicional.

Segundo declarou Cialdini à revista The Atlantic, “trata-se de um reconhecimento de sobrevivência: estas são as pessoas que são mais parecidas comigo – partilhamos as mesmas circunstâncias“. O pesquisador diz que este tipo de comportamento é praticamente involuntário, comparando-o ao impulso dos pássaros à procura do bando, ou de abelhas em busca de enxame. “É um instinto primitivo“, sublinha.

Tomando por base as conclusões deste estudo, de que a maioria das pessoas toma como exemplo o comportamento de terceiros como guia de ação face ao ambiente, Cialdini quer aplicar a mesma fórmula e adaptá-la ao consumo energético. Para isso, através da sua firma Positive Energy criou um software que mede e compara o uso de energia em um determinado bairro de Sacramento, Califórnia. Através da companhia distribuidora de energia faz chegar mensagens aos consumidores comparando o seu consumo energético com o da vizinhança. Alguns moradores receberam um envelope com boas notícias e desenhos sorridentes (você usou este mês menos 58% de energia que os seus vizinhos) e outros, cartas com notícias menos boas (você gastou mais 38% de electricidade do que os seus vizinhos nos últimos 12 meses, o que aumentou  a sua conta em 741 dólares).

Os resultados obtidos no primeiro ano (2008) em 35.000 residências resultaram em uma economia global de 2% o que, em utilização em horários de pico é bastante considerável, já que equivale à retirada de 700 casas da rede. São excelentes notícias tanto para as companhias elétricas quanto para os consumidores porque os investimentos em novas unidades geradoras para fazer face apenas aos picos de consumo são enormes e refletem necessariamente nas tarifas energéticas.

No final de 2009, a empresa prevê entregar os relatórios a um milhão de clientes, distribuídos pelos estados da Califórnia, Washington, Minnesota, Illinois e Nova Iorque.

Cialdini espera que o aprendizado conseguido na campo do consumo energético possa agora também ser aplicado ao problema mundial da escassez de água utilizando o mesmo sistema dos relatórios de consumo. Ele nota aínda que um aspeto das ciências comportamentais pode ajudar na implementação de políticas orientadas à conservação de recursos hídricos. “A mesma quantidade de água, um litro, por exemplo, tem mais impacto nas pessoas se elas considerarem que a vão perder do que se pensarem que a vão ganhar” explica. “Enfatizar a noção de perda pode ser uma oportunidade motivacional que leve finalmente as pessoas a agir

com informações e textos de ionline e The Atlantic

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